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TENDÊNCIAS FUTURAS DA GOVERNANÇA CORPORATIVA

sábado, agosto 8th, 2009

A globalização da economia, e seu reflexo no mercado de capitais, tem provocado uma inevitável e maior homogeneização das regras que regem as companhias abertas, na medida em que os investidores globais, possuindo enorme leque de opções para aplicação de seus recursos, e com liberdade para operar em vários países, estão cada vez mais exigentes com relação a seus investimentos. A partir da década de 1990, com a abertura da economia brasileira, investidores estrangeiros começam a participar em proporção cada vez maior do capital das empresas brasileiras, inicialmente através de investimentos realizados dentro do país e depois através da aquisição de representativos de ações de companhias nacionais nas bolsas americanas. Ao listar suas ações nas bolsas americanas, as companhias abertas brasileiras foram obrigadas a seguir diversas regras impostas pela SEC – Securities and Exchange Commission, órgão regulador do mercado de capitais norte-americano, relacionadas a aspectos contábeis, de transparência e divulgação de informações, que nada mais são do que princípios de governança corporativa.No âmbito dessa mudança, o modelo brasileiro de governança corporativa caminha para incorporar as vantagens da existência de núcleos de controle que, ao manter a alma e a cultura associadas à visão estratégica da empresa, contribuem significativamente através da modernidade de seus gestores para o sucesso do empreendimento. As empresas brasileiras bem sucedidas, em sua grande maioria, estão atravessando um período importante de sucessão na propriedade e na gestão, e os novos atores, já incorporam o conhecimento e a observação sobre as várias tensões que são criadas, e as enormes vantagens da busca do equilíbrio de interesse nas decisões. Essa elevação da consciência com relação à responsabilidade perante os vários “stakeholders”, reforça o fator da sustentabilidade do negócio.Em empresas com sistemas de governança corporativa maduros observam-se diferenças de comportamento dos agentes de mercado em razão das diferenças em seus sistemas legais e reguladores de seus países. Restrições e limites impostos aos investidores, principalmente nos EUA, têm levado a uma dispersão na composição das ações. Contrariamente, a falta de tais restrições no Japão e Alemanha tem permitido uma concentração cada vez maior de acionistas. Na Alemanha e no Japão, diferentemente dos EUA, bancos têm tido uma influência substancial sobre as empresas. Isto tem levantado a hipótese que a falta de liquidez no mercado financeiro na Alemanha e do Japão e a disponibilidade de linhas de crédito de baixo custo e prazos longos têm contribuído para o aprimoramento de seus sistemas de governança corporativa. De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IBGC (2005:02), o modelo empresarial brasileiro vem passando por momentos de transição em suas estruturas acionárias. “De oligopólios, empresas de controle e administração exclusivamente familiar e controle acionário definido e altamente concentrado, com acionistas minoritários passivos e Conselhos de Administração sem poder de decisão, caminhamos para uma nova estrutura de empresa, marcada pela participação de investidores institucionais, fragmentação do controle acionário e pelo foco na eficiência econômica e transparência de gestão”. Há vários fatores de pressão a favor dessas mudanças, segundo o IBGC: As privatizações; o movimento internacional de fusões e aquisições; o impacto da globalização; necessidades de financiamento e, conseqüentemente, o custo do capital; a intensificação dos investimentos de fundos de pensão; e a postura mais ativa de atuação dos investidores institucionais nacionais e internacionais. Paralelamente algumas iniciativas institucionais e governamentais foram implementadas nos últimos anos com o objetivo de assegurar melhorias das práticas de governança corporativa das empresas brasileiras, das quais se destacam:  

· A aprovação da Lei nº 10.303/01;

· A criação do Novo Mercado e dos Níveis 1 e 2 de governança corporativa pela Bolsa de Valores de São Paulo – Bovespa; e

· As novas regras de definição dos limites de aplicação dos recursos dos Fundos de Pensão. Por outro lado, a tarefa de alinhar interesses dos stakeholders (principal) aos dos gestores (agente) implica em custos para os acionistas, os chamados custos de agência: 

· Custos de criação e estruturação de contratos entre o principal e o agente;

· Gastos de monitoramento das atividades dos gestores pelo principal;

· Gastos promovidos pelo próprio agente para mostrar ao principal que seus atos não serão prejudiciais ao mesmo;

· Perdas residuais, decorrentes da diminuição da riqueza do principal por eventuais divergências entre as decisões do agente e as decisões que iriam maximizar a riqueza do principal. 

Finalmente nota-se como obstáculo ao desenvolvimento do atual modelo de governança corporativa das companhias brasileiras a presença de um círculo vicioso, que não incentiva as empresas a adotarem melhores práticas de governança nem os investidores a aplicarem recursos nas companhias. Tais práticas empresariais prejudiciais aos acionistas minoritários em conjunto com a instabilidade econômica atual poderão gerar uma sub-avaliação de preço de ações das companhias em relação ao seu valor intrínseco, o que significará em poucas vantagens para a abertura de capital e captação de recursos via emissão de novas ações. Com isso haverá um distanciamento dessas empresas em relação ao mercado de ações, gerando um baixo incentivo para práticas de vigilância corporativa.

Decisões estratégicas: aplicação do método AHP

sexta-feira, maio 8th, 2009

Recentemente no módulo Sistema de Gestão, BSC e Governança Corporativa foi proposto analisar as inciativas estratégicas definidas pela Cia. Havaianas do Grupo São Paulo Alpargatas, direcionadas através de seu mapa estratégico para a meta de “Ser a marca de sandálias preferida em todo o mundo”. A análise para priorização das diversas iniciativas propostas pode ser auxiliada por metodologias desenvolvidas no âmbito de estudo chamado Análise de Decisão, também desenvolvido no curso de Mestrado em Empreendedorismo e Inovação do BI-International.

Este trabalho se propõe a apresentar a aplicação da metodologia AHP (Analytic Hierarchy Process) desenvolvida por Thomas Saaty quando estava atuando como consultor do governo Norte Americano, e que vem sendo aplicada a problemas de decisão de diversas áreas tais como economia, logística de materiais, seleção de projetos, alocação de investimentos e de previsões. Devido à complexidade matemática envolvida no procedimento AHP, um programa de computador chamado Exepert Choice foi aplicado como auxiliar ao método.

Resumidamente o método AHP consiste em avaliar aos pares as diversas iniciativas estratégicas (ou alternativas) delineadas pelo grupo gestor da empresa, atribuindo-lhes ponderações numéricas que exprimem o grau de importância relativa a cada critério estabelecido (também chamado de objetivo). Os critérios por sua vez também são analisados em grau de importância aos pares, tendo como orientador, neste caso, a meta da Cia..

A aplicação de uma metodologia como esta tem como vantagem o inerente domínio das decisões tomadas pelos elementos participantes da avaliação e a possibilidade de analisar rapidamente a sensibilidade do resultado obtido à matriz de ponderação atribuída às iniciativas. O método AHP padrão (aqui utilizado) é capaz ainda de informar o nível de inconsistência entre pesos atribuídos às iniciativas estratégicas analisadas, o que o torna uma poderosa ferramenta de auxílio para a tomada de decisão em situações complexas (múltiplos objetivos e sub-objetivos, e com diversas alternativas envolvidas).

O arquivo a seguir mostra todo o processo AHP aplicado a este caso, onde os valores de ponderação foram adotados pelo autor deste blog com base na sua visão empresarial. Neste caso a inciativa estratégica “Revisão e Construção do Novo Site da Empresa” foi a calculada e escolhida como a de melhor decisão. O método dará bons resultados quando os participantes da avaliação das iniciativas possuírem o maior número de informações sobre a organização.

Espera-se com esse trabalho poder contribuir com o curso MEI, além de mostrar na prática a aplicação da ferramenta AHP para tomada de decisão.

caso-havaianas.pdf