Novo código florestal brasileiro

14 julho, 2010 por pasi

A proposta de um novo Código Florestal no Brasil está sendo debatida ardentemente. Há dois grupos com opiniões totalmente opostas - os ruralistas, que querem garantir a produção agrícola, e os ambientalistas, que querem proteger o meio ambiente. Vou falar aqui um pouco sobre a proposta e os argumentos dos ruralistas e dos ambientalistas.mata-ciliar-7.jpgO deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), o relator do novo projeto, propõe as seguintes alterações para a Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965:

  1. Retirar a obrigatoriedade de reserva legal em propriedades de até quatro módulos. Segundo o deputado Aldo Rebelo, o relator do novo projeto, eles são pequenos agricultores e biologicamente a proposta não afeta em nada o meio ambiente.
  2. Dentro de cinco anos regularizar todas as atividades agrícolas iniciadas até 22 de julho de 2008, inclusive aquelas que estão localizadas em Áreas de Proteção Permanente (APP). A proposta é criar uma espécie de moratória para as dívidas e multas ambientais de atividades até então irregulares.
  3. Alterar a faixa mínima de mata ciliar nativa em cada uma de margens de Cursos d’água. Essa faixa era de 30m, mas passará para 15 metros, podendo ser reduzida ou aumentada em até 7,5 metros (50%) de acordo com legislação estadual. O que é mais, os estados terão de respeitar a lei nacional, que exige 20% de preservação na Mata Atlântica, 35% no Cerrado e 80% na Amazônia.
  • Muitos dos ruralistas entendem que para ser sustentável ao longo das gerações, a agricultura precisa de solo preservado, de uso eficiente de água e de meio ambiente equilibrado. Mas eles pensam que a legislação florestal joga a responsabilidade e os custos de preservação apenas aos produtores rurais e transforma-os em criminosos. A dificuldade para os ruralistas é que é a produção agrícola que garante a sobrevivência financeira e social deles e de suas famílias. Então eles exigem flexibilidade no código florestal, mantendo em mente o fato que existem grandes diferenças entre as situações em cada estado. A proposta de um novo código florestal, segundo os ruralistas, garante o equilíbrio entre o desenvolvimento e a preservação do meio ambiente.
  • Os ambientalistas, de outro lado, dizem que alguns pontos da proposta são flexíveis demais e que as mudanças podem provocar ainda mais desmatamento. Os ambientalistas discutem que a questão de quatro módulos não é bem pensada, porque existem propriedades de quatro módulos que chegam até 600 hectares (particularmente na Amazônia), bem mais do que a agricultura familiar. Não é sustentável nem suportável, segundo os ambientalistas, retirar a obrigatoriedade de reserva a tais propriedades. As matas ciliares são fundamentais para prevenir a erosão e consequente assoreamento dos mananciais. Para agricultura mesmo, as matas ciliares são importantíssimas porque elas ajudam manter a quantidade e a qualidade das águas para a irrigação. E por isso que poderá ser desastroso, de acordo com o Ministério do Meio Ambiente, alterar o código florestal. Os ambientalistas também dizem que estender o prazo para regularização por mais cinco anos favorece quem nunca cumpriu o Código Florestal.Eu aceito o argumento, dos ruralistas, que a legislação deve respeitar as diferenças entre cada estado, mas tenho medo que a proposta atual deixa espaço para desmatamento demais. Minha preocupação maior é que a isenção de reserva legal representa 70 milhões de hectares de floresta na Amazônia. Seria desastroso para o Brasil, e o mundo inteiro, caso deixarmos desmatar tudo isto ou uma grande parte disto. É necessário aliar o crescimento econômico e a preservação ambiental, assim como as questões sociais, para poder garantir a sustentabilidade no meio rural. Mas acredito que a proposta do Aldo Rebelo não é eticamente certa. Temos que pensar de novo e achar um jeito melhor e mais sustentável.
  • Em minha opinião, os ruralistas estão pensando só sobre pequenos ninhos deles – as famílias, as aldeias e comunidades mais próximas deles – esquecendo que o princípio mais importante da sustentabilidade é que todos os membros de uma comunidade ecológica são interconectados numa vasta e complexa rede de relações. Por exemplo, pode ser que no curto prazo seria muito vantajoso para uma família agrária desmatar uma mata ciliar nativa até cinco metros de um rio ao lado o seu módulo. Mas isto pode ser desastroso para varias animais silvestres, porque as matas ciliares oferecem lugares para ninhos e abrigos, oferecendo condições para a sua procriação e crescimento – tudo isto pode ser perdido. E um pescador que trabalha no mesmo rio pode perder seu modo de vida porque a quantidade de peixes pode cair junto com desmatamento de mata ciliar (as matas ciliares fornecem alimento para os peixes através suas folhas, frutos e raízes). Em fim, até a própria família agrária que decidiu desmatar mais que está recomendável pode sofrer em longo prazo porque a ecossistema inteiro vai sentir as conseqüências do desmatamento. Então pode ser que daqui a alguns anos eles não vão poder cultivar sua terra mais. Talvez eles vão mudar a uma cidade grande onde já há pessoas demais, com todos os problemas que isto significa (desemprego, crime, violência etc.), que eles podem ainda piorar.
  • Temos que parar de pensar só o que é bom para si mesmo hoje. É absolutamente necessário começar a pensar o que é sustentável para todos nós hoje e no futuro. Por isso estou contra o novo código florestal.mataciliar2.jpg

“O que seria importante na análise do mercado consumidor?”

16 maio, 2010 por pasi

“Um amigo seu, dono de  uma fá br ica de fraldas descartáveis, ficou sabendo que você está cursando o MBA. Aproveitou o momento no churrasco do ultimo domingo e lhe solicitou um conselho: “O que seria importante na análise do mercado consumidor?”.Como você não queria comprometer a picanha, prometeu uma resposta por escrito com todos os detalhes. É a hora!”

 Caro amigo, você solicitou meu conselho sobre análise do mercado consumidor. Acredito que você já sabe que existem dois tipos de análise; quantitativa e qualitativa. Acho que você está mais interessado em saber o que seria importante na análise qualitativa, mas antes de dar informação sobre isso, deixe-me explicar rapidamente os principais pontos sobre a análise quantitativa também. Na análise quantitativa você faz pesquisa em: desempenho dos seus concorrentes; evolução dos preços em seu mercado; participação de mercado; o tamanho ou potencial de mercado; canais de distribuição; e evolução da demanda. Tudo isso lhe ajudará a entender a segmentação de mercado e posicionar sua empresa e seus produtos.Análise qualitativa é uma ferramenta para você conhecer as relações de consumo em profundidade. Você faz esse tipo de análise normalmente por entrevistas individuais ou discussões em grupo; hoje em dia pode também utilizar o internet para tal. Seu objetivo é descobrir oito fatos:

1.       Quem constitui o mercado.

2.       Quem compra.

3.       O que compra.

4.       Por que compra.

5.       Quem participa da compra.

6.       Como compra.

7.       Quando compra.

8.       Onde compra.

Análise qualitativa vai te dar conhecimento em profundidade em A) comportamento de compra (coisas como estímulos econômicos, sociais e de marketing, e as características culturais, sociais, pessoais e psicológicas do comprador), B) operações de compra (o problema ou necessidade, busca de informação e alternativas, ato de compra e comportamento pós-compra), e C) papéis de compra. Gostaria de focar sua atenção no último – papéis de compra – porque é essencial para você conhecer não só quem efetivamente faz a compra (“o comprador”) – mas também quatro outras pessoas, ou grupos de pessoas, que têm influência na decisão de compra. Os outros papéis de compra são:

·         “Iniciador” – a pessoa que pensou na idéia de comprar um produto ou serviço.

·         “Influenciador” – ele(s) ou ela(s) exerce influencia, direta ou indiretamente, na decisão de compra.

·         “Decisor” – quem realmente decide se o que, como, onde e quando comprar (o comprador mesmo pode ser uma outra pessoa do que o decisor!).

·         “Usuário” – a pessoa que consome ou usa o produto ou serviço.

Caso você só conheça “o comprador”, pode ser que ele nunca descobrirá os seus produtos ou serviços (este é o papel do “iniciador”), não terá uso para os seus produtos ou serviços, ou ele nunca conseguirá decidir comprá-los ou não (este é o papel do “decisor”). É exatamente por isso que a análise qualitativa é fundamental para qualquer empresa.

Isto, em poucas palavras, é meu conselho para você sobre o que seria importante na análise do mercado consumidor. Quaisquer dúvidas, e para maiores informações, estou à disposição para marcar uma consulta no meu escritório por R$100,00/hora.  

Ecosia

12 fevereiro, 2010 por pasi

Ecosia é um motor de busca diferente. A Ecosia é uma ONG.  De acordo com seus responsáveis, cada pesquisa ajuda a salvar 2 m2 de floresta tropical. Aprende mais aqui:

Eu apoio lo!

Se não pode vencê-los, junte-se a eles

11 fevereiro, 2010 por pasi

Lembra-se que antigamente era estritamente proibido levar aos shows  qualquer tipo de aparelho para gravar música ou tirar fotos? Claro que o problema para os artistas e as bandas era que os fãs gravavam shows ao vivo e depois vendiam cassetes, discos e DVDs. Tornou-se muito mais difícil para os artistas venderem discos “live” (ao vivo) por causa disso. Eles e a indústria simplesmente perderam – e continuam a perder - milhões de dólares. Hoje em dia é quase impossível controlar isso porque todo mundo tem celulares com câmeras e smart phones com gravadores de áudio. Só passam-se algumas horas depois de qualquer show e você já pode achar clipes de vídeo no YouTube do show que você foi. Leia o restante do post »

“Toda negociação integrativa contém uma negociação distributiva”.

11 fevereiro, 2010 por pasi

“Não” é a resposta curta para a afirmação acima. Ambos os tipos de negociação têm aspectos similares ou iguais. Por exemplo, há ofertas inicias. Os negociadores têm seus preços de reserva e seus preços-alvo. Mas o diferencial entre os dois tipos de negociação é o número de objetivos possíveis. Nas negociações distributivas sempre há um único objetivo; os interesses dos negociadores são sempre opostos. Mas nas negociações integrativas há vários objetivos em jogo. É possível que os negociadores tenham interesses opostos, como numa negociação distributiva, mas os interesses podem também ser iguais ou diferentes.

Negociações

28 janeiro, 2010 por pasi

Talvez a mais importante lição que eu aprendi até hoje no curso de MBA na B.I. International lida com negociações. A gente fez dois exercícios em dublas com uma situação de negociação. E ambos os exercícios me mostraram que é importante não pensar que eu sei o que a outra parte quer antes de começar negociar e não fazer qualquer oferta antes que eu tenha pelo menos uma boa idéia de quanto que a outra parte está preparada a pagar.No primeiro exercício eu ia tentar vender um lote para meus vizinhos. Isto para os mesmos vizinhos que recusaram comprar este lote há 15 anos e nunca mostraram interesse em comprá-lo. Por causa disso eu ofereci o lote por um valor baixo (mais do que eu pagara há 15 anos, mas menos que o valor atual). Só que eu não sabia que por algum razão meus vizinhos agora tinham interesse em comprar este lote e eles estavam preparados para pagar muito mais. Então, meu erro foi oferecer um preço antes de descobrir que realmente eles tinham interesse. Se eu soubesse disso – eu descobri depois – eu poderia ter ganho mais que o dobro!money_bag_with_dollar_sign1.jpgEntão eu aprendi que seria melhor não ser o primeiro a fazer uma oferta. Caso for possível, tente que a outra parte abra a parte financeira das negociações. Claro que isto não é sempre possível. A outra parte pode insistir que você faça uma oferta. Nesse caso é importantíssimo tentar descobrir as intenções e limites da outra parte, e sempre começar as negociações com um preço mais alto que você estiver preparado aceitar. Nessa maneira você tem uma margem para negociar e uma possibilidade para ganhar mais que você pensava. Só que você tem de lembrar não começar com um preço alto demais, porque se você vai baixar o preço muito, você corre um risco de perder credibilidade. A outra parte pode pensar que no começo você tentou lhe “roubar” e por causa disso ele não tem confiança em fazer negócios com você.

Comunicação não-verbal

25 janeiro, 2010 por pasi

Nossa professora Adriana Ventura falou bastante sobre ‘comunicação não-verbal’, ou ‘expressão corporal’ (body language), nas aulas sobre negociação e apresentação. Eu concordo com ela que isto é importantíssimo em qualquer tipo de comunicação. Coisas como postura, contato visual, movimentação das mãos e braços afetam a comunicação e efetividade das apresentações. Não é necessário que eu repita o que a Adriana falou porque ela falou bem e nos deu matérias boas para estudar em casa. Só gostaria de adicionar uma coisa, particularmente porque nós estamos fazendo um MBA International.Ou seja, muitos de nós já trabalhamos ou pretendemos trabalhar na área de Comércio Exterior. Então, é importante saber que não existem regras universais sobre comunicação não-verbal. Quando você trabalha com estrangeiros, você tem que lembrar que eles podem ter expectativas totalmente diferentes sobre comunicação não-verbal. No Japão, por exemplo, não é educado olhar no olho das pessoas com quem você está falando. A cultura japonesa, obviamente, é muito diferente da brasileira, então existem várias coisas diferentes sobre comunicação diferente. Só para dar mais um exemplo; para se cumprimentar, os homens precisam se curvar para mostrar respeito. Mas você tem que saber a grau da curva. O Barack Obama fez um faux pas com o imperador do Japão por se curvar demais.obama-bow.jpgFalando sobre cumprimentar, na Escandinávia a gente não beija as mulheres e raramente dá abraços para homens. Então não sentimos que os outros escandinavos não gostam de nós quando eles não nos abraçam ou nos beijam! Eles ou não sabem que isto é costume aqui no Brasil ou esquecem porque isto é muito estranho para eles…Então, lembre-se que sempre é importante conhecer seu público. E claro que os ‘repertórios dos destinatários’, ou ‘bagagem cultural’, podem variar muito até entre os brasileiros. Mas com os estrangeiros pode ter certeza que existem muitas coisas que você acha estranho, até ridículo, e vice versa.

O melhor amigo do homem

17 dezembro, 2009 por pasi

Quem nunca pisou no cocô? Dizem que dá sorte, embora eu duvide. Onde moro não se vê cachorros de rua, mas é claro que ninguém sai ileso. Há aquelas ruas mais calmas propícias para o delito – até minha vizinha solta o fofinho dela no pátio da vila onde moro e deixa as “trufinhas” para traz…

Eu tenho dois cachorros. E antes que me perguntem – eu cato o cocô deles sim! Acredito que se trata de uma questão de respeito – para com os outros (que não querem trufinhas grudadas no sapato, nem ver a obra de arte na calçada), para comigo mesmo (eu também moro aqui) e até com meus cãezinhos. Os coitadinhos saem por aí abanando o rabo e nem sabem o que a porcalhada de alguns donos mal-educados e o mau-humor de outros causam.  Outro dia estava passeando com meus cachorros e vi a placa: “O Brasil tem …. Km2 e seu cachorro resolveu fazer xixi bem aqui”. Vai me dizer que este síndico não sofre do fígado? Uns dias depois minha cachorrinha ficou doente e meu veterinário falou que alguns prédios estavam passando creolina (sem enxaguar) para afastar os cachorros – só que isto estava os intoxicando.

As pessoas devem ser razoáveis. Algumas deviam deixar de ser ranzinzas. Todas deviam lembrar o que é respeito e parar de olhar para o próprio umbigo. Quanto aos meus cães, eles não se importam, continuam abanando o rabo – eles são mais razoáveis que muita gente.  

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Cobertura verde

17 dezembro, 2009 por pasi

Chicago City Hall Green RoofHoje foi mais um dia de muito calor aqui em São Paulo. Mais um dia que as empresas gastaram muito dinheiro utilizando ar condicionado. E parece que há nada pra fazer quando faz calor.  Mas fiquei muito impressionado ao ver que tem jeito para resfriar mesmo as cidades, não só os prédios. Já ouviu falar sobre o “Green roof” ou “cobertura verde”? É um sistema artificial de construção de coberturas de edifícios sobre os quais são aplicados vegetação. Esse sistema tem grandes vantagens ao nível arquitetônico, estético e, talvez mais importante, ambiental. Impressionante esse sistema, quando é usado numa cidade, é suficiente para resfriar a temperatura dentro da cidade por alguns graus. Que beleza num dia de muito calor! Claro que um sistema como esse tem um custo inicial mais caro que uma construção tradicional. Mas a longo prazo economiza (menos necessidade de usar ar condicionado), faz as cidades mais agradáveis e ajuda nosso frágil meio ambiente. Esse sistema já é um grande sucesso em algumas cidades, como Chicago nos EUA. Vale à pena pensar nisso em São Paulo também!

Quem sou?

17 dezembro, 2009 por pasi

Achei a disciplina “Desenvolvimento Estratégico da Gestão de Pessoas e de Carreiras Globais” muito interessante e bem feita. Claro que temos que agradecer as professoras (Regina Manopelli Moura e Cláudia Castagnino) pelo ótimo trabalho delas, mas também gostaria de agradecer meus colegas pela parte deles – todo mundo participou e enriqueceu o curso.

Havia muitas coisas interessantes nas aulas, como assertividade e a teoria de Maslow. Mas o que eu mais gostei foram as oportunidades para avaliarmos a nós mesmos. Sempre somos avaliados por outras pessoas (testes etc.), mas é raro pararmos para pensar sobre nós mesmos. Achei muito válido.

No teste de assertividade, eu ganhei 83 pontos, que significa boa assertividade; faltaram 3 pontos para excelente assertividade, então ainda tenho que pensar como que eu poderia melhorar o meu comportamento. Outro teste mostrou que eu tenho que melhorar minha habilidade de escutar; sei que isto é importantíssimo. Os outros testes também me ensinaram várias coisas sobre mim para mim. Tenho certeza que agora eu conheço a mim mesmo melhor e está mais fácil tentar me desenvolver… muito obrigado por isso!