Introdução
A colheita da cana-de-açúcar pode ser dividida em três tipos (1) manual; (2) mecanizada e (3) com equipamentos de auxílio a colheita, sendo a primeira mais comum no Brasil. A seguir uma descrição desses três tipos de colheita.
Colheita Manual
Na colheita manual, cerca de 24 a 48 horas antes, é realizada a queimada do canavial, para reduzir a folhagem e diminuir o risco de acidente com animais peçonhentos. A partir daí, os trabalhadores cortam a cana com facões e vão fazendo feixes para a medição da produtividade.(SIT, 2002)
A queima da palhada (o resíduo do processo de colheita, que inclui a palha e a ponteira da cana) é realizada para permitir uma maior acesso à cultura, pois possibilita um maior rendimento na colheita, estima-se que dobra a quantidade média de cana cortada por um trabalhador, que é de seis toneladas por dia.(Ciência Hoje, 2002), além de diminuir os custos na colheita.
Na colheita da cana-de-açúcar, até a produção do açúcar e ao álcool, estão incluídas aa atividades do corte manual da cana-de-açúcar, que tem uma rotina operacional permeada por agentes penosos, como, por exemplo, o turno de trabalho de 8 horas diárias realizados sob irradiação solar, poeira e fuligem. O pagamento é por produção, ou seja, se interromper o trabalho para tomar água, descansar, ou ir ao banheiro, o cortador deixa de produzir e não recebe. Um cortador de cana que colha 10 ton/dia desfere algo em torno de 10.000 golpes de facão (Laborcana, 2005). A operação do corte é dividida nas seguintes etapas: corte da base da cana, desponte da ponteira e amontoamento ou enleiramento.
Colheita Mecanizada
O uso da mecanização, mais intenso nas fases de plantio e tratos culturais, é ainda pequeno no corte da cana, mas vem sendo implementado de modo irreversível, especialmente na região Centro-Sul. Em São Paulo, a área colhida com máquinas foi de 47% em 2007 e deve ser a maior parte na safra 2008/2009. A mecanização da colheita da cana-de-açúcar não só aumenta o rendimento operacional do procedimento como também reduz seu impacto ambiental, por dispensar a queima de resíduos.
Realiza-se a colheita em 3 etapas: o corte, o carregamento e o transporte até a usina. A mecanização vem sendo introduzida por partes, tendo começado pelo transporte, vindo em seguida o carregamento. Na fase de corte, a introdução da máquina teve como fator determinante mais a instabilidade da mão-de-obra (greves, super-posição de épocas de colheitas de diferentes culturas) do que sua viabilidade econômica em relação ao corte manual.
A colheita mecanizada é não só economicamente mais interessante, como permite padronização, pré-processamento da matéria-prima e, principalmente, maior segurança para o processo produtivo, com melhor controle das atividades de corte e sua compatibilização com o ritmo da industria. Além disso, contribui para a redução da migração de trabalhadores na época da safra, que causa problemas sociais graves nas cidades próximas aos canaviais. Assim, a mecanização é especialmente recomendável do ponto de vista de modernização e redução de custos de produção do setor.
A colheita da cana-de-açúcar mecanizada, no entanto, exige algumas condições específicas para apresentar os resultados desejáveis: solo plano, sem falhas, redimensionamento das áreas de plantio, inclusive com espaçamento adequado entre as fileiras, plantio mais raso e um crescimento ereto da cana, sem tombamentos.
Além do mais, esse tipo de colheita apresenta algumas desvantagens, como a compactação do solo, rebrota menos uni-forme da soqueira, necessidade de alto investimento na aquisição de maquinário, e um menor comprimento da cana em relação ao que é obtido manualmente (devido ao corte realizado pelas lâminas da colhedora) e também a questão do desemprego, agravado pela total desqualificação da mão-de-obra.
A mecanização não é imediata nem irrestrita, ela será lenta e gradual, e para isto seriam necessários de 7 a 15 anos para a implantação total da mecanização, mas temos a certeza de ser um processo irreversível.
Colheita com Equipamentos de Auxílio à Colheita
A colheita com equipamentos de auxílio à colheita está em fase de implementação no Brasil, através de projeto financiado pela FAPESP.
Análise do Avanços no Avanço do Uso do Etanol como combustível
Houve uma rápida expansão na produção de cana-de-açúcar, em conseqüência principalmente do aumento da demanda por etanol para atender ao mercado de veículos flex no país. De 2003 a 2009, a área total do cultivo da cana disponível para a colheita no Estado saltou de 2,57 milhões para 4,89 milhões de hectares, segundo dados do mais recente relatório feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).
O dado mais expressivo - do ponto de vista ambiental - é que pela primeira vez mais da metade da colheita foi realizada sem queima. O relatório referente à safra de 2009/2010 mostra que cerca de 56% da colheita foi realizada sem queima, contra 44% em que se utilizou o recurso. Na safra de 2006/2007, a colheita sem queima beirou os 34%. Caso o ritmo for mantido, a meta estabelecida pelo Protocolo Agroambiental do Setor Sucroalcooleiro, assinado em 2007 entre o Governo do Estado de São Paulo e a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) - que prevê a eliminação gradativa da queima da cana-de-açúcar até 2017 -, será cumprida, mesmo com a expansão da produção.
Para as áreas com declive inferior a 12%, que permite a mecanização da colheita, uma prática alternativa, o prazo termina em 2014. A expansão da mecanização da colheita envolve questões complexas que impõem alguns limites, como condições favoráveis de mercado e investimento em maquinário, mas a pressão do protocolo Agroambiental do Setor Sucroalcooleiro, assinado em 2007 entre o Governo do Estado de São Paulo e a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), está produzindo um resultado muito positivo no Estado e mostra que o objetivo de eliminar totalmente o procedimento de queima pode ser atingido até a data limite. São Paulo perdeu muita área que tradicionalmente era de pastagem para a cana-de-açúcar, mas, no entanto, o gado não diminuiu.
Isso se deve à otimização do uso do espaço e ao investimento do setor pecuário em tecnologia. Segundo os pesquisadores, o método utilizado consiste em monitorar o modo de colheita a partir da interpretação visual e do processamento digital das imagens. Mas, ressaltam, a metodologia tem uma limitação. Para resultados satisfatórios é preciso contar com diversas imagens livres de nuvens durante o período de colheita. Por isso, é necessário utilizar imagens de sensores com características diferentes.
O mais importante é obter imagens em períodos específicos em que a cana seja mais fácil de ser identificada. O mapeamento do cultivo da cana requer que sejam adquiridas imagens em janeiro, fevereiro e março da safra corrente e setembro e outubro do ano anterior.
O plantio da cana-de-açúcar é geralmente feito nos meses de março e abril e em outubro elas já começam a aparecer em imagens de satélite. De janeiro a março do ano seguinte é o período em que a cana está mais vigorosa e fácil de ser identificada.
Já para a colheita as imagens são adquiridas de abril a dezembro, período tradicional de colheita no Estado de São Paulo. Mas em dezembro, quando começam a aparecer mais nuvens, o trabalho se torna mais complicado.
A técnica de sensoriamento remoto pode ser utilizada para monitorar vários aspectos do cultivo da cana e tem tido um efeito positivo fora do país. Em discussões ambientais, o Brasil é lembrado por monitorar o cultivo.
O estudo feito no Inpe destaca que as metas do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroalcooleiro não são para os municípios, mas para o setor como um todo. O produtor que atingir as metas receberá um selo agroambiental. Essa prática pode ajudar na questão de sutentabilidade da cadeia produtiva. A ideia é que esse selo possa servir como um ingresso para o mercado externo.
Outra alternativa: Agronegócio familiar
Além das indústrias, o agronegócio familiar é responsável por grande parte do plantio dos alimentos consumidos, evidenciando que um dos passos para a construção do modelo de desenvolvimento rural sustentável no Brasil será dado por meio da ampliação, da viabilização, do fortalecimento da agricultura familiar e também da promoção de uma tecnologia agrícola que conserve os recursos naturais. Para que isso seja feito há alguns modos e programas a serem discutidos.
Há programas realizados por parte do Governo, mas que se mostram insuficientes frente às dificuldades de concorrência com grandes empresas. Nunca é demais lembrar que as condições de trabalho, remuneração e qualidade de vida dos trabalhadores da cana-de-açúcar, de uma forma geral, são precárias, como o exemplo dos trabalhadores de canaviais que não possuem carteira assinada e muitas vezes trabalham por comida e moradia.
Com a preocupação ambiental e a modernização, para um processo sustentável é necessário substituir a queima durante o processo de colheita da cana-de-açúcar por outros métodos (já citados acima). A questão está que na substituição do método haverá o desemprego em massa dos trabalhadores desta área. Para que isso não ocorra deve haver um melhoraento do estudo e de cursos técnicos para que esses trabalhadores consigam uma nova forma de renda podendo ser, inclusive, como um agronegócio familiar.
Esse processo deve ser gradual e precedida de medidas que garantam qualificação, realocação dos trabalhadores em outras atividades, seguro desemprego e prioridade nos programas de reforma agrária e créditos fundiário e agrícola. Para resolver esse problema, deve-se levar em conta que, de um lado, há previsão de dinamização da economia e o país tem carência de mão-de-obra. De outro, ainda há latifúndio esperando ações do Incra para desapropriar terras e aumentar onúmero de agricultores familiares.
Outra solução
Outra solução seria regularizar a profissão e junto do Ministério do Trabalho submeter estes trabalhadores as mesmas leis que outros trabalhos que tem níveis de periculosidade se submetem, o que pode ser difícil é a fiscalização do empregadores para realmente checar se estão sendo cumpridas as leis.
Conclusão
Como vimos em nossa disciplina sobre Ética e Sustentabilidade, a sociedade está caminhando para soluções que procurem o bem-estar dos seres em todas as cadeias. O plantio, a colheita e a transformação em etanol são peças que influenciam no meio ambiente e, em decorrência, na vida dos seres do planeta, portanto deve-se levar em consideração a aplicação de práticas sustentáveis em todos os métodos abordados neste texto.
Assim, os mesmos devem auxiliar na construção e manutenção de uma sociedade sustentável. A criação de técnicas menos prejudiciais ao meio ambiente é fundamental para o contexto que estamos inseridos. Além da perpetuação da exploração econômica, está em cheque também a manutenção da qualidade de vida da sociedade.
Bibliografia:
http://www.feagri.unicamp.br/unimac/produtos_canadeacucar.htm
midiaemeioambiente.blogspot.com/2010_04_01_archive.html
http://cienciahoje.uol.com.br/controlPanel/materia/view/1382
www.assessoriadopt.org/AlimentoCana.pdf